Moravam os pais e a filha adolescente num sítio na zona rural do interior de São Paulo.
Numa tarde fria do mês de junho, o representante da comunidade bateu palmas no portão.
O casal estranhou aquela visita, apressaram para atendê-lo e nem precisou convidá-lo a entrar, pois viera para informar sobre o falecimento de uma comadre moradora do mesmo bairro.
Ele e a esposa apressaram no banho, vestiram roupas sóbrias e foram ao velório.
A filha, desde que foi a um funeral quando criança, morria de medo de velório e de tudo que a sua imaginação criava a respeito e preferiu ficar em casa.
Sabe como é velório, demora e muito.
Anoiteceu e a jovem certificou se de que o portão, todas as janelas e portas estavam bem trancadas.
Acendeu as luzes de todos os cômodos, sentou se no sofá, ligou a televisão quase sem som para poder ouvir qualquer ruído externo além dos ventos uivantes sapecando as folhagens dos eucaliptos.
E nada dos pais voltarem.
Silêncio...
Tic...tic...tic...crec...crec...crec...
Silêncio...
Tic...tic...tic...tic...crec...crec...crec...crec...
Silêncio...
Creckt.
Silêncio...
Certificou se de que os gatos dormiam na sala e os cachorros estavam quietos lá fora e o medo havia dominado a sua mente e o seu corpo.
Silêncio...
Muitos minutos depois.
Crec...crec...crec...
Planejou desmaiar.
Olhou para o chão antes de fechar os olhos.
E o pequeno caranguejo de água doce que morava no aquário da sala de jantar em companhia da pequena tartaruga verde:
| desenho à mão livre - hellen |
Ooooi !
Você esqueceu de dar o jantar para mim e para o João-Verde.
Foi cansativo escalar o aquário, escorregamos muitas e muitas vezes,
mas eu fui persistente e consegui sair.
Difícil foi te encontrar.
Sem comentários:
Enviar um comentário