fevereiro 27, 2011

ZÉ LELÉ


Um dia desses, resolvi ''ter um dia de faxina''.
Diante de tantos recursos, decidi não mais guardar dezenas de cadernos acumulados ao longo dos anos. Comecei pelos cadernos utilizados na faculdade, não consegui descartar todas, há algumas com conteúdo interessante, assuntos que eu encontrarei com certa facilidade na internet ou em livros, entretanto, são anotações pessoais feitas em sala de aula sobre determinadas matérias.
Há outros com anotações de textos literários, trechos de  livros, revistas, jornais e muitos rascunhos.
Algumas relíquias com páginas recheadas de primeiros desenhos da minha filha quando pequenina; esses pretendo guardar para sempre, mesmo que os desenhos da mamãe e papai sejam muito engraçados.
E o Zé Lelé?
What's this?  What about it?

Encontrei-o neste rascunho:
``Nesta quarta-feira, 22 de janeiro de 2003, antes das seis da manhã, enchi os pratinhos de comida das minhas gatinhas e fui alimentar o Zé Lelé, como costumeiramente faço antes de sair para o trabalho.

No entanto, o Zé Lelé não estava dentro da sua casinha, encontrei-o no chão, inerte, durinho, já perdendo a sua coloração.
Como já estava atrasada, nada falei, nem com o Zé Lelé, mesmo que ele ainda pudesse me ouvir, embrulhei-o no guardanapo e coloquei-o no cesto de lixo.
Deixei um bilhetinho para a minha filha falando do acontecido e sai correndo.
Intrigou me o fato de não ter idéia alguma do que teria acontecido, afinal, na noite anterior o Lelé, todo garboso e feliz, fazia as suas manobras exibindo a cauda avermelhada dentro do pequenino aquário.
Primeiro, desconfiei da Spice e da Britney, minhas gatinhas, mas logo descartei, pois elas, na verdade, morriam de medo do peixinho, passavam longe do pequeno aquário com apenas uma pequena abertura.
Meu marido e a minha filha, embora tenham ido dormir depois de mim, não havia razão para fazer algo desse tipo. 
Nera, minha funcionária do lar, chegava só de manhã na minha casa, então...

Chegando à minha estação de trabalho, comentei esse fato com os meus amigos, sem saber que teria tamanha repercussão.
Riram muito, às gargalhadas mesmo, e foi juntando mais colegas ao redor da minha mesa e mais gargalhadas, foi o assunto do dia, aliás, de vários dias.
E mais, cada um avisou o seu superior que no dia seguinte chegariam mais tarde ao trabalho, iriam ao funeral do meu amigo Zé Lelé que acabara de se matar.``

Enfim, uma minúscula tragicomédia...

Hoje, reencontrando vários amigos daquela época, através dos sites de relacionamento, lembranças de tantos bons momentos veio à tona e junto uma grande saudade de todos.

Betta Splendens é um peixe originário do Sudeste Asiático. Seu nome vem de uma tribo indígena, onde os guerreiros eram chamados de ''Bettahs'', por isso também conhecido popularmente como ''peixe de briga''.
O seu sistema de respiração adaptado no seu habitat original, água estagnada e mal oxigenada, possibilitam a sobrevivência em minúsculos aquários.

fevereiro 25, 2011

MONTEIRO LOBATO no MUNDO DO SÍTIO



''O certo em literatura é escrever como mínimo possível de literatura (...) a mim me salvaram as crianças.
De tanto escrever para elas, simplifiquei-me.''
Monteiro Lobato, in Carta a Godofredo Rangel, São Paulo 1943.

José Bento Renato Monteiro Lobato - nasceu em Taubaté,1882 - faleceu em São Paulo, 1948.
Foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.

imagem: www.mundodositio.com.br
algum tempo tenho tido a oportunidade de acessar o blog do site ''Mundo do Sítio '' da Editora Globo.
Embora ainda em construção, observa-se que será um mundo virtual repleto de personagens criadas pelo escritor Monteiro Lobato.

Um site de entretenimentos, cultura, educação voltado para o público infantil, educadores, pais e para os grandinhos também.


Enquanto aguardamos a abertura da porteira do Sítio,
primeiramente,  parabenizo a brilhante idéia da criação de uma obra virtual politicamente correta.

Os nossos jovens ainda em formação, terão mais esse instrumento para iniciar, gostar e agregar conhecimentos da nossa literatura.
E de forma que todos certamente irão gostar, interagindo virtualmente com os encantadores, espevitados, sábios, divertidos personagens de Lobato do Sítio do Picapau Amarelo.


Fiquei encantada com mais essa releitura, pois o mundo de fantasia de Lobato encantou muitas gerações através das inúmeras obras literárias infanto-juvenis, e no final dos anos 70 quando diariamente ia ao ar pela Rede Globo as histórias do Sítio do Picapau Amarelo.


Certamente, haverá inúmeros e renomados cronistas, jornalistas, comentaristas falando desse assunto com mais qualidade e categoria do que esses meus simples dizeres.
Entretanto, há motivos para eu fazê-lo.


Tudo isso me remete às lembranças da minha infância, quando ao iniciar na alfabetização, a minha irmã e os meus irmãos me ensinaram as primeiras letras, a escrever o nome, as primeiras leituras e foram momentos especiais que guardo eternamente na memória e no coração.

Entre tantas lembranças dos primeiros aprendizados, cito os meus primeiros livros, presentes da minha irmã:
O Patinho Feio e um outro, cujo nome não me lembro, era uma história da mamãe galinha toda colorida e fofa cuidando com muito zelo dos seus pintainhos amarelos.
Já não ''lia'' mais os livros de ponta cabeça, no entanto já sabia folhear as páginas corretamente e embora escorregasse nas letras, devo ter contado as duas histórias pelo menos cento e duas vezes para meus irmãos, minha irmã e meus pais, fazendo de conta que sabia ler.


Penso eu que muitos tiveram momentos semelhantes, cujas letras mesmo não conseguindo ler, contávamos a história décor e salteado.

Outro livro de extremo valor na minha vida, foi uma obra de Montato Lobato.
Este foi o meu presente de Natal naquele mesmo ano. Como eu ia ingressar no primeiro ano, uma das pessoas de extrema importância na minha vida e de toda a minha família, Doutor Lang, foi quem me presenteou e me encantou.
Não sei precisar o título, provavelmente, As Reinações de Narizinho.
Viajei muito no mundo divertido e encantado nas páginas das inúmeras histórias e personagens daquele livro.
Quando cresci acabei dando para uma criança, filho de um caseiro do sítio onde morávamos.

Além desse meu retorno pelas pegadas da  nostalgia, há um outro motivo para este meu entusiasmo e alegria singular.  

Imagino quantas pessoas precisou para a construção desse Mundo. E imagino o sentimento de felicidade de cada um dos profissionais pela realização desta obra.
A mim, me resta dizer ao menos, parabéns à toda equipe.


Juntamente com as outras crianças que já devem estar na fila de espera em frente à porteira, eu, embora nem tão criança, também estou indo com a lancheira na mão.
Espero poder divertir junto com a minha filha, se ela dispuser de um tempinho, e quem sabe eu até ganhe uma partidinha nos jogos... será?


by hellen, tentanto inserir um pouco de fantasia na nossa realidade.




fevereiro 15, 2011

MUTIRÃO

Frequentemente a  prefeitura ou a sub-prefeitura faz manutenção nas ruas, praças e arredores do nosso bairro.
São dezenas de funcionários munidos de vassouras, enxadas e andam rua por rua, praça por praça, limpando, arrancando matos e dessa forma deixando-as bem conservadas.
E essa é uma das razões de eu gostar tanto donde moro há mais de 25 anos.

Às vezes, fico pensando se há necessidade de tanta gente num mesmo local, que por sorte, são ruas relativamente bem conservadas, lixos colocados e retirados dentro da normalidade e nem as chuvas impetuosas desses dias de janeiro e fevereiro tem causado tantos estragos.
E continuo questionando, se essa força tarefa, muito nobre e necessária por sinal, ocorre também naqueles locais lotados de entulhos, lixos que a população despeja sem critério, sem vergonha e sem um pingo de consciência, noticiados diariamente pelos meios de comunicação.

Pela segunda vez, tivemos a oportunidade, de acompanhar a situação das águas da nossa cidade através do Flutuador que percorreu os rios e represas de São Paulo medindo a qualidade da água, iniciativa da Rede Globo.
Eu disse oportunidade?
Na verdade, merecíamos a oportunidade de ver imagens de rios e mais rios caudalosos, represas felizes refletindo orgulhosas as nuvens do céu e as matas ao seu redor, brincando de esconder os peixes das aves tantas que nós ainda temos.
Ou basta percorrermos a cidade e sentirmos... nauseados, enjoados, perplexos, revoltados, ao ver tantos lixos flutuando pelas nossas águas.
Nem ouso imaginar, para minimizar a dor no coração, o que deve estar submerso onde nossa visão não alcança, onde a água mutilada, muda, padece tentando seguir o seu destino.
Imagens de lugares onde a natureza, os rios, as águas, as florestas, tudo é multi-conservada, respeitada, surgem na nossa mente e dá uma pontinha de inveja dessa cultura que não joga lixo nas ruas, muito menos na água que se bebe, que se banha, nutre as plantações, os animais.

Porque nossas pessoas  pincham tudo, desde sofás, animais mortos, lixos e mais lixos nas ruas, nas praças, próximos às águas e dentro dos rios, represas, praia, mares?

Mutirão, gosto muito dessa palavra, termo de origem tupi, de etmologia desconhecida, conforme informações da Wikipedia.

Recentemente assisti a uma reportagem cuja comunidade de uma província japonesa se reunia uma vez ao ano ou quando fosse necessário, para limpar um córrego de quilômetros de distância desde a sua origem e ao longo de todo o seu percurso.
A água que nasce das longínquas montanhas, pura, límpida, abastecendo toda a população, irrigando as plantações é venerada, respeitada, amada, é sagrado e segue o seu trajeto feliz e reciprocamente camarada.
E frequentemente tomamos conhecimento desse tipo de atitude em outros países, como sendo a coisa mais natural do mundo.
Quando éramos crianças, havia um final de semana por ano, cujos moradores da zona rural de cada bairro se uniam em mutirão para limpar e conservar as estradas.
Iniciava  no seu terreno, estradas vicinais, seguia pela estrada municipal até encontrar outro  pessoal do outro bairro já executando as mesmas tarefas.
Toda família participava, munidos de foices, facões, enxadas, pás, iam cortando e carpindo os matos que invadiam a estrada, reparando os buracos causados pela erosão, preenchendo com terras, retirando as terras deslizadas dos barrancos.
Para nós, crianças era um programa diferente.
Além de sermos expectadores, também éramos importantes, nós é que levávamos a marmita para nossos respectivos pais e irmãos.
A comida preparada pelas nossas mães, esposas, irmãs, chegava bem na hora, do cansaço, da fome e da sede.

Ainda sinto o aroma de mato recém-cortado invadindo toda a estrada... e pássaros reclamando, insetos fugindo zangados, burburinho de homens falando, roçando, carpindo, limpando o suor do rosto, camisas molhadas, bebendo água nos garrafões...

imagem sxc.hu
Não havia interferência da prefeitura municipal, tudo  era decidido pela comunidade  e ninguém se queixava de nada, fazia parte do viver, respeitar, conservar a estrada, o caminho nosso de todos os dias.
                                      
Há tantos mutirões pelo Brasil, nas construções de casas, no cuidado com pessoas carentes, nos cuidados com a saúde, de natal, mutirão digital, entre tantos que às vezes até desconhecemos.
Será que é tão difícil um mutirão para conservarmos os rios, os córregos ou pelo menos um mini-mutirão para limpar o próprio quintal, uma vez por ano, preferenciamente antes da temporada de chuvas?

hellen, preocupada com a situação das nossas nascentes, rios, córregos, represas, mares, praias, florestas, faunas, floras tantas  que nós temos...ainda.