
Num desses domingos, meu marido fez o seu prato e foi almoçar num cantinho da varanda do nosso apartamento.
Se ajeitou na cadeira de praia, prato na mão, olhou ao redor e falou ''dá impressão que estou almoçando no meio da roça...''
Não dei importância e continuamos com a refeição, ele na varanda, minha filha e eu dentro do apartamento.
Sou uma pessoa lenta para captar o que os outros querem de fato dizer.
Alguns dias depois, enquanto eu cuidava das mil plantinhas nos vasos espalhados na varanda, lembrei da frase dita pelo meu marido e tentei entender se, ''almoçando no meio da roça'', se referia a almoçar fora do apartamento, ou ele quis dizer que almoçar num lugar onde ramos e folhas de plantas cutucavam a sua orelha, parecia estar na roça, ou ainda, que a nossa varanda estava uma verdadeira algazarra de plantações, sem sobrar sequer um centímetro de espaço...
Até hoje não sei qual é a alternativa correta.
Estou citando isso, porque de fato, há dezenas de plantas na nossa pequena varanda.
Há plantas frutíferas, cujos pés, se plantados em terras abundantes, cresceriam frondosamente metros e mais metros, entretanto nos meus vasos se limitam a serem pequenos.
Uma jabuticabeira que dá frutos quase o ano todo, os quais eu deixo para os passarinhos que vem bicar diariamente.
Uma romãzeira que ainda não conseguiu frutificar mas dão flores belas e delicadas.
Obervo o crescimento da pitangueira e aguardo ansiosa as primeiras florações.
O pequenino pé de amora carregada de frutos, embora bem azedinhos.
O bambú que cresce horizontal e verticalmente, precisando de podas constantes.
E outras dezenas de mudas de árvores também frutíferas crescem em outros vasos, cujos nomes corretos eu desconheço.
Entre o generoso sol das manhãs de primavera, verão e outono e o vento forte e frio dos invernos, as plantas se desenvolvem no seu habitat criado por mim ao longo de tantos anos.
Sempre prestando atenção para não criar nenhum mosquito Aedes Aegypti nos vasos.
A cada florada de onze-horas, amarilis, ipoméias, fico encantada com a delicadeza e beleza singular que cada uma possui.
De vez em quando, tempero a carne de frango com os galhinhos de alecrim, ou tento amenizar a tosse com chá de folhas de guaco.
Há poucos dias, muito feliz, colhi tomates-cereja, graciosos e suculentos.
Estou cuidando das mudas de cenoura que crescem nas mesmas terras da jabuticabeira.
Fico feliz pelo tanto de pássaros que fazem diariamente um pit-stop, bicam as frutinhas, chupam o mel das flores, cantam e voam de volta, parecem felizes.
Gosto de acreditar que as joaninhas que aparecem entre as plantas nos traz sorte.
Estou mencionando isso porque percebo que plantas se desenvolvem muito facilmente em qualquer lugar por mais áridos que sejam.
Está certo que não precisavam exagerar tanto,
brotam e crescem nas minhas terrinhas, plantinhas de várias espécies, sejam semeados por mim ou pelos pássaros ou vindos na terra que eu compro.
Sempre mencionei para algumas pessoas que é só enterrar as sementes ou mudas na terra e eles brotam, crescem, frutificam, purificam o ar, alimentam os insetos e os pássaros, forram a terra, ajudam a evitar erosões, deslizamentos, além de embelezar as ruas, praças, ao redor de rios como as que cortam a cidade de São Paulo.
Sempre imaginei que, se dezenas de plantas conseguem se desenvolver numa varanda de apartamento com poucos metros quadrados, quão desenvoltos se tornariam em terras tantas que nosso país possui.
Quão fácil é, cada homem se conscientizar e plantar uma muda ou algumas sementes de qualquer espécie de árvores ou flores no seu quintal, no seu jardim, na sua chácara, na sua fazenda...
Quão nobre e produtiva atitude seria se, um dia por ano, uníssemos em mutirão para plantar, conservar, limpar, as ruas, praças, chácaras, estradas, indústrias, fazendas ou qualquer local em que fazemos parte...
Reflorestar e conservar cada metro de terras que possuímos, mesmo as áreas com pequenas ou imensas criações de gados, lavouras, índústrias, residências, são ações fáceis e baratas.
''Não dói nada'', como diz um amigo meu.
Difícil é conscientizar a maioria.
Difícil é a falta de atitude que a maioria de nós sequer pensamos em tomar, desde a simples e tão importante tarefa do dia a dia, como separar o lixo, não jogar o lixo em qualquer local e principamente, conservar o que nós construímos ou o que a natureza construiu.
É só olhar a situação caótica dos nossos rios, represas, nascentes e mares, para ficarmos indignados...
O Brasil é gigante, é belo, é rico e temos condições de melhorar mais e mais e nos tornarmos um dos países mais prósperos do mundo,
se... despertarmos em tempo.
O Planeta, há tempos, padece com a falta de cuidados de nós seres considerados racionais...
.....by hellen.... um tanto indignada, muito triste e preocupada com o que está acontecendo no Brasil e em outros lugares do mundo.




