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"Saudade é a certeza de ter vivido e sentido o que algum dia em algum lugar, nos marcou pra valer" ( autor desconhecido)
A frase acima me remete às tantas lembranças dos tempos idos da nossa infância, quando nossos pais e nós cinco irmãos morávamos no Bairro Cachoeira, zona rural da cidade de Ibiúna.
Um lugar longe de tudo, de tudo mesmo.
Os vizinhos, a cidade, as escolas, o conforto, os desejos, os sonhos, tudo ficava muito distante.
Em compensação, junto, dentro de uma natureza belíssima, nem mais nem menos.
Exatamente no melhor lugar daquela região.
Da nossa casa avistávamos um imenso mar de água doce.
Matas ainda nativas e montanhas contornavam a represa.
Havia espécies de vegetais e animais em abundância.
Uma enorme cachoeira.
Uma pequena praia.
A natureza nos acolhia dia e noite.
Mesmo contando em muitos e muitos versos e prosas, nenhum de nós conseguirá traduzir todas as singularidades vivenciadas durante a nossa longa estadia por aquela terra
inesquecível.
Foram anos de lutas, enfrentando muitas intempéries do destino.
Mas, apesar de todas as dificuldades, o primordial para nossos pais era a educação dos filhos.
E conforme íamos crescendo, frequentávamos a escola da cidade, caminhando muitos quilômetros pela estrada de terra.
Ao retornarmos para casa, cada um sabia das suas tarefas na roça e somente a noite é que estudávamos sob a tênue luz de lampiões à querosene.
Mas ninguém nunca reclamou de nada.
Como se soubéssemos que muita coisa estava por vir além do
h o r i z o n t e.
Horizonte, belo e infinito, bastava abrir as portas e as janelas e podíamos apreciar, sonhar...
Cada amanhecer anunciando um novo ciclo, dando oportunidade a todos de
recomeçar dia após dia.
Os etéreos crepúsculos que se desenhavam pelo céu e se moviam para as mais longínquas montanhas, pincelando o céu em matiz indescritível.
A chuva que se aproximava moldando as montanhas e descortinando as ondas mansas da represa.
O vai-e-vem incansável das ondas provocando pequenas arrebentações e espumas flutuantes.
Os arco-íris tantos, que nos encantava depois das chuvas de verão.
A estrela cadente que atendeu os nossos pedidos.
A longa estrada de terra que circundava a região montanhosa, de mata densa, permitindo nossas tantas e tantas idas e voltas.
São tantas lembranças que nos traz nostalgia,
eternamente.
Atualmente papai e mamãe não estão mais conosco, mas
tenho certeza que Deus os tem em paz em algum lugar muito agradável.
Somos só nós cinco, cada um constituiu família e nem todos moram na mesma cidade.
E fica cada vez mais difícil reunirmos todos como acontecia antigamente.
Mas quando isso ocorre, basta um abraço, um apelido, uma frase, uma palavra ou alguma história da nossa infância e temos a certeza que somos os mesmos cinco dos tempos de Ibiúna.
Por essa razão, eu resolvi rascunhar algumas histórias daquela época, tentando expressar desta maneira o profundo sentimento de gratidão.
Primeiramente a DEUS que nos protegeu, orientou nossos passos e nos deu a oportunidade de viver num lugar tão belo e inesquecível.
Com muita gratidão, carinho e amor incondicional:
ao papai e à mamãe, nossa essência.
à minha irmã e aos meus três irmãos, pilares da minha vida.
ao meu esposo e à minha filha, essência do meu dia a dia.
com muito carinho a todas as demais pessoas da nossa família, cunhado, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas.
a todas as pessoas que fizeram parte da nossa longa jornada.
especialmente à família Sibille , proprietários daquelas terras e pessoas de extrema importância na nossa vida.
e tantas outras pessoas, cuja importância e gratidão são eternas e que serão contadas em algum momento dos meus escritos.
Talvez ninguém as leia, mas são coisas do fundo do meu coração e das minhas doces lembranças.
As coisas não tão boas eu descartei e alguns dos acontecimentos pitorescos e interessantes estarão inclusos nesse blog sob o título
Burburinhos da Roça e Muito Mais
e
conto para você.