Frequentemente a prefeitura ou a sub-prefeitura faz manutenção nas ruas, praças e arredores do nosso bairro.
São dezenas de funcionários munidos de vassouras, enxadas e andam rua por rua, praça por praça, limpando, arrancando matos e dessa forma deixando-as bem conservadas.
E essa é uma das razões de eu gostar tanto donde moro há mais de 25 anos.
Às vezes, fico pensando se há necessidade de tanta gente num mesmo local, que por sorte, são ruas relativamente bem conservadas, lixos colocados e retirados dentro da normalidade e nem as chuvas impetuosas desses dias de janeiro e fevereiro tem causado tantos estragos.
E continuo questionando, se essa força tarefa, muito nobre e necessária por sinal, ocorre também naqueles locais lotados de entulhos, lixos que a população despeja sem critério, sem vergonha e sem um pingo de consciência, noticiados diariamente pelos meios de comunicação.
Pela segunda vez, tivemos a oportunidade, de acompanhar a situação das águas da nossa cidade através do Flutuador que percorreu os rios e represas de São Paulo medindo a qualidade da água, iniciativa da Rede Globo.
Eu disse oportunidade?
Na verdade, merecíamos a oportunidade de ver imagens de rios e mais rios caudalosos, represas felizes refletindo orgulhosas as nuvens do céu e as matas ao seu redor, brincando de esconder os peixes das aves tantas que nós ainda temos.
Ou basta percorrermos a cidade e sentirmos... nauseados, enjoados, perplexos, revoltados, ao ver tantos lixos flutuando pelas nossas águas.
Nem ouso imaginar, para minimizar a dor no coração, o que deve estar submerso onde nossa visão não alcança, onde a água mutilada, muda, padece tentando seguir o seu destino.
Imagens de lugares onde a natureza, os rios, as águas, as florestas, tudo é multi-conservada, respeitada, surgem na nossa mente e dá uma pontinha de inveja dessa cultura que não joga lixo nas ruas, muito menos na água que se bebe, que se banha, nutre as plantações, os animais.
Porque nossas pessoas pincham tudo, desde sofás, animais mortos, lixos e mais lixos nas ruas, nas praças, próximos às águas e dentro dos rios, represas, praia, mares?
Mutirão, gosto muito dessa palavra, termo de origem tupi, de etmologia desconhecida, conforme informações da Wikipedia.
Mutirão, gosto muito dessa palavra, termo de origem tupi, de etmologia desconhecida, conforme informações da Wikipedia.
Recentemente assisti a uma reportagem cuja comunidade de uma província japonesa se reunia uma vez ao ano ou quando fosse necessário, para limpar um córrego de quilômetros de distância desde a sua origem e ao longo de todo o seu percurso.
A água que nasce das longínquas montanhas, pura, límpida, abastecendo toda a população, irrigando as plantações é venerada, respeitada, amada, é sagrado e segue o seu trajeto feliz e reciprocamente camarada.
E frequentemente tomamos conhecimento desse tipo de atitude em outros países, como sendo a coisa mais natural do mundo.
Quando éramos crianças, havia um final de semana por ano, cujos moradores da zona rural de cada bairro se uniam em mutirão para limpar e conservar as estradas.
Iniciava no seu terreno, estradas vicinais, seguia pela estrada municipal até encontrar outro pessoal do outro bairro já executando as mesmas tarefas.
Toda família participava, munidos de foices, facões, enxadas, pás, iam cortando e carpindo os matos que invadiam a estrada, reparando os buracos causados pela erosão, preenchendo com terras, retirando as terras deslizadas dos barrancos.
Para nós, crianças era um programa diferente.
Além de sermos expectadores, também éramos importantes, nós é que levávamos a marmita para nossos respectivos pais e irmãos.
A comida preparada pelas nossas mães, esposas, irmãs, chegava bem na hora, do cansaço, da fome e da sede.
Ainda sinto o aroma de mato recém-cortado invadindo toda a estrada... e pássaros reclamando, insetos fugindo zangados, burburinho de homens falando, roçando, carpindo, limpando o suor do rosto, camisas molhadas, bebendo água nos garrafões...
![]() |
| imagem sxc.hu |
Há tantos mutirões pelo Brasil, nas construções de casas, no cuidado com pessoas carentes, nos cuidados com a saúde, de natal, mutirão digital, entre tantos que às vezes até desconhecemos.
Será que é tão difícil um mutirão para conservarmos os rios, os córregos ou pelo menos um mini-mutirão para limpar o próprio quintal, uma vez por ano, preferenciamente antes da temporada de chuvas?
hellen, preocupada com a situação das nossas nascentes, rios, córregos, represas, mares, praias, florestas, faunas, floras tantas que nós temos...ainda.

Sem comentários:
Enviar um comentário