Vovô tinha o seu cantinho predileto na sala de jantar, na beira da mesa, bem debaixo da janela, onde o sol batia de manhã e a tarde.
Lá ficavam, permanentemente, alguns dos seus objetos pessoais, como lápis preto e vermelho, caneta, um caquinho de borracha, um pedaço de régua, bloco de papéis, pois, assuntos importantes dos jornais, livros e revistas, ele grifava em vermelho, fazia anotações.
Uma faquinha para as suas frutas favoritas, principalmente , melancia e caqui.
Havia também uma lata redonda com tampa, sempre recheada de bolachas, bombons e não podiam faltar as balas, que a vovó ia abastecendo de tempos em tempos.
Era quase um encanto, um quadro valioso, todos os dias, o mesmo gesto, enquanto lia ou conversava, abria a lata e saboreava uma lasca de bolacha ou deixava uma bala derretendo na boca bem devagar, como se fosse o melhor momento da vida.
Vieram os netos, e, as reuniões dos finais de semana, feriados, férias, aniversários, páscoa, natal, ano novo, a família toda se reunia na casa do 'vovô e vovó do sítio'.
Assim que os netos chegavam na casa, a primeira coisa que o vovô fazia, depois de abraçar todo mundo, era buscar a lata e distribuir balas e bolachas para cada um deles.
E cada um dos netos, com as guloseimas na mão, agradeciam:
obrigado,vô!, obrigado vó!
e saiam em disparada para brincar. A vovó se apressava na cozinha para preparar a refeição, o lanche, e, principalmente as coxinhas e as batatinhas fritas, que os pequenos passavam pela cozinha, de minuto em minuto, para comer as batatas, ainda fumegantes, enquanto ela fritava.
Desde a tenra idade, as crianças sabiam que o vovô-sítio, tinha uma lata mágica;
de lá não saia nenhum coelho, nem pomba alguma, mas mantinham a expectativa, todas as vezes que os visitavam.
Mesmo fartos de tantas guloseimas que tinham acesso, mesmo que as bolachinhas não fossem as preferidas, ou que as balas fossem aquelas bem azedinhas,
todos os seus netinhos estendiam as mãos, como se estivessem recebendo as bênçãos do vovô e da vovó.
Vovô e Vovó,
doçura incondicional e inesquecível no coração de cada um dos netos.
Nota: eu mesma não conheci meus avós pessoalmente, entretanto, a minha filha e os meus sobrinhos tiveram momentos felizes e inesquecíveis com os seus avós. E tenho a certeza de que essa pequena passagem que mencionei, em homenagem aos seus avós, também fazem parte da doçura que cada um deles guarda no coração.

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